Sobre “Os Treze Porquês” (Thirteen Reasons Why)
Assistindo a filmes e seriados sobre o Ensino Médio nos EUA podemos observar a carga de violência (ou bullying) a que os alunos são submetidos diariamente nas escolas. Como eu nunca vivi nos Estados Unidos, não sei precisar em que ponto isto é verdadeiro ou se a ficção fez disto um estereótipo para vender – mas acredito que algo que toque o real deva existir nesta questão.
Devemos atribuir à língua inglesa somente a terminação bullying, pois sabemos que atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos foram criados por toda a humanidade, independente de nacionalidade, faixa etária, credo religioso, etnia, classe social, etc etc etc...
Parece estranho para nós brasileiros observar as tribos retratadas nos filmes (as líderes-de-torcida, os esportistas, os nerds, etecera), pois para nós as categorias não são tão delineadas assim (desculpem-me, falo de uma experiência pessoal, subjetiva de alguns anos atrás quando eu mesmo cursava o Ensino Médio). Como no Brasil temos uma salada étnica, social, religiosa, nossas escolas refletem (ou deveriam!) esta mistura e os nichos não aparentam ser tão específicos assim como são representados nos EUA. Acontece que o preconceito existe aqui: o medo, a raiva, a insegurança, baixa autoestima e a violência também estão presentes no cotidiano de cada um de nós.
Observo, com certa satisfação, estes temas serem discutidos atualmente. Percebo esforços por parte das pessoas em compreendê-los e mudar atitudes antiquadas para a melhor convivência de todos. Porque, afinal de contas, pessoas saudáveis, que prezam por suas integridades mentais, emocionais e físicas não gostam tanto da violência (não-consentida). Acredito que mesmo as pessoas com determinado poder ou algum tipo de força, que comumente são os agentes da violência, na posição oposta (a de violentados) não se sentiriam felizes com a situação...
Mas a verdade é: a violência existe e se manifesta como um dos comportamentos humanos. Está contida em cada um de nós, constantemente somos agentes ativos e passivos de alguma manifestação dela e se faz necessário compreendê-la, discuti-la, nos informar a respeito. Entendo que nossos objetivos diários, profissionais, a vida nas metrópoles, o excesso de compromissos e o egocentrismo egoísta tem modificado radicalmente nossa forma de interação com outros seres humanos. Quando não o fazemos conscientemente, muitas vezes somos violentos por desatenção, descaso, desinformação.O bacana é que “Os Treze Porquês” entra exatamente nestas questões ditas anteriormente, trazendo importantes reflexões.
Os convido a assistir este sucesso mundial criado pela #Netflix (que, aliás, muito tem me surpreendido com suas séries originais) para enriquecer a discussão e nosso imaginário sobre este tema tão importante.
Precisamos sermos aceitos e aceitar as pessoas em suas diferenças.
E respeitarmo-nos todos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário